Pular para o conteúdo principal

Dejavu

É imperativo num estado corrupto cidadãos obtusos e sem norte:

Uma parte lamenta o muito que não tem, outra parte felicita-se por ter o pouco que muitos não têm...

A corrupção confunde; sorrir-se sem estar, de fato, satisfeito. Talvez em esperanças de receber as migalhas dos superiores; lamuria-se pelo fútil, morre-se todas as tardes de domingo em frente a televisão por um programa boçal ou vai-se ao shopping.

Esta aporia traça no indivíduo certa confusão involuntária digna de um arquétipo internacional mentiroso (o brasileiro é um povo feliz) - não feliz, mas desinteligente, alienado.

Sófocles disse que "quanto menos sabedoria mais alegria", um dito mais moderno de autoria desconhecida - em paráfrase - diz que "a ignorância é o patamar da felicidade". Ambos os casos se aplica com precisão ao brasileiro. Não somos nada, somos vítimas de nossa própria incapacidade de agir, de observar-nos holisticamente.

Estamos no fim ou no começo?

Que será de nós, que será de vós?



________________________________________________________________

São Paulo, SP, BR, 1999.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cabelo ao vento

Que passas... (?)
                    Ao luar;
Quais sinas... (?)
                    Hão aquietar;
Que mares... (?)
                   Há de singrar;
Dos amores!
                   Feliz, amainar;
Da sagacidade...
                   Intuspecta cor – relumar;
Do cabelo a brisa...
                   Sibilista olhar;
Por Febe semp’ terna
                   Há d' estar.


Vulnerant omnes, ultima necat

Esta inscrição (título) em Latim (como outras tantas) encerra um caráter excessivamente preciso sobre a vida ou sobre nossas ações e o modo como "não" percebemos o mundo.

Talvez possa induzir fracos pensarem que nada valha fazer porque a ordem de tudo é um fado... Mas o que pensam sobre tal frase os que não se importam com os demais?

Não percebem que caminhamos todos para um nada comum! Homicida não é somente aquele sujeito que tira a vida do outro, mas todos aqueles que impõem suas veleidades sobre os demais para vantagem pessoal.

Qual a diferença de falastrões, profetas, marqueteiros, palestrantes e políticos? Nenhuma...


Em equivalência não atentam para os ponteiros da vida e não entendem o significado dos dias em que "vulnerant omnes, ultima necat*. Que sim, algumas de suas verdades não valem um quinto do que lhe é dado. Que tantas outras que tornariam a vida de "muitos" melhor é deixada de lado... Porém cada um olha apenas para sua marcha como se fosse a mai…

Sartre: o filósofo do nada e da decisão.

Entre as frases mais conhecidas de Sartre está a que diz que “o homem está condenado a ser livre”. Para este filosofo só o egoísmo nos explica. Não o egoísmo de Adam Smith, mas talvez se aproximasse do egoísmo hobesiano não houvesse uma distinção clara entre indivíduo e Estado respectivamente.
É através de uma necessidade egoísta que temos a obrigação de escolher “ou não” (que também é uma escolha, isto é, escolho não escolher). É ai que nasce sua certeza de que existe liberdade na ação do homem independente do seu tipo de escolha: se ação ou inação. Segundo seu pensamento o poder da decisão não é determinado pelas circunstâncias. Se assim fosse teríamos de imaginar que um mundo perfeito deveria existir com circunstancias estritamente agradáveis e imutáveis. Isso é impossível por ser um antimundo, um mundo da ideia, um mundo ilusório. Sua crítica existencialista o obriga a defender a inexistência do divino sobre o homem. Pensamento este que o aproxima de Feuerbach no sentido de dizer que…