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Educação competitiva

Vez em sempre corre na mídia nacional brasileiros nascidos a sudeste discriminando brasileiros não nascidos ao sul (ou ao próprio sudeste).
Onde podemos encontrar uma explicação para isso? Pensemos em muitas variáveis, porém as mais gritantes são a educação que essas pessoas tiveram e seus fins. Aqui está tudo resumido. Educação e fim determinam a personalidade do indivíduo (não falamos somente de educação escolar, mas a familiar que é a mais importante). 
Em casa a educação deste futuro cidadão ou cidadã é voltada para um projeto de sucesso da família: desde cedo o sujeito tem de "ser o melhor" e é estimulado diuturnamente a competir - na escola a condição de permanência é a adquirição de notas. Depois de tecnicamente formado, com um canudo em mão, das academias que o prepararam (unicamente) para o trabalho e o ganho, uma vez que quem o deveria forma-lo para vida é sua família, o cidadão ou cidadã estão prontos para a sociedade: uma ideia de mundo distorcida pela competitividade empresarial e uma visão de humanidade fixada nos parâmetros financeiros.
Supostamente prontos! Pois são essas pessoas devidamente graduadas são as primeiras a ofender e menosprezar seus patrícios – deixando claro que a ideologia que lhe fora encucada não é local e sim algo exógeno. Frutos de uma educação competitiva e comparativa qual busca o melhor e o pior a todo instante. Em seu imo o sujeito vítima desta educação vive seu êxtase: se "ele" não é melhor que "eu" é pior, se é "pior" dane-se, se "é melhor" tenho de supera-lo...  
Como classificar pessoas que julgam-se ou buscam ser superiores a outras? Todos os nossos problemas começam com a educação ou a falta dela! Estes, como muitos - inclusive no nordeste, sentem-se superiores uns aos outros por uma simples razão: sua posição social ou seu poder aquisitivo amparados na educação empregalista que não é democrática como diz o Estado.
Agora onde a educação ou a falta dela se relaciona com os casos de ofensas a outras culturas? O sujeito em boa posição social pensa-se como um lume para a sociedade (não passa de uma farsa, um produto vítima da eterna antinomia: explorador e explorado). 
Então quem não está acima deste sujeito não merece seu respeito (é assim que pensam os operadores do sistema em geral: acadêmicos rotundos e orgulhosos por terem um canudo, saberem que terão um emprego garantido - se quer olham sua servidão perene ao um sistema maior). Por sua vez o sujeito ignorante (por ignorar - não estúpido) vive sua felicidade febril em torno do ordinário lhe cabendo, no máximo, viver na defensiva - tudo isso patrocinado pelo Estado que o corrompe em suas novas formas de estamentos... Não tem argumentos lógicos para rebater as injúrias que sofre, às vezes até porque não as entende... 
E ai continuaremos com essa educação longe de preceitos humanistas voltada para o perde e ganha dos escritórios, das bolsas de valores, etc. Uma educação eternamente presa ao colear das eleições em ideologias ridículas que se prestam ao atendimento das empresas e não da natureza e do homem (num formato em que o homem se entenda parte da natureza e não seu dono).

Quem é esse cidadão que em redes sociais, em emissoras de TV, rádios, empresas, etc. pronuncia suas asneiras subestimando seus patrícios "se não" um representante de uma renomada e poderosa empresa? Será que seus amigos pensam diferente dele? Será que seus chefes serão capazes de puni-lo? Casos se repetem sem punição alguma... Sem mudança nas bases da educação (familiar ou escolar). E nada mais teremos diferente do que presenciamos se aceitarmos o presente...

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