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Preguiça mental


Analisando a luz de lâmpadas as outras culturas seus avanços, suas ideologias e, principalmente, o ímpeto com que assume cada membro da sociedade as causas coletivas torna-se inevitável não voltar os olhos para dentro. Torna-se dramática a intuspecção e a certeza de que demoraremos mais 500 anos para sermos uma nação completa (isto é, se houver recursos até lá). Ou seja, se novos generais de direita ou presidentes populistas não nos entregar de bandeja a sistemas autóctones.
Mas como isso é possível? 
Simples! A manutenção da ignorância de um povo é o pedestal do poder e da exploração deste! Isso é fato aqui e ali!
Ouvia, certa vez, uma conversa entre dois jovens sobre o conhecimento que haviam adquirido sobre a língua portuguesa. O primeiro parecia escorreito em suas colocações, o segundo tendia a desculpas espalhafatosas para justificar seu insuficiente conhecimento linguístico diante de sua idade. Entenda o diálogo:
  • Pedro – É preciso ler entender as proposições de cada parágrafo para ir a diante...
  • Roberto – Não gosto de ler! 
  • Pedro – Sem leitura não há como escrever bem e até entender parte das situações que nos acontecem ou até prever determinadas circunstâncias baseadas no passado, pois o homem é previsível.
  • Roberto – Eu sei... Mas... Não tenho paciência para ler... Uma psicóloga me falou que tenho a "síndrome do pensamento acelerado" e que por isso não consigo concluir uma frase escrita corretamente... Também não consigo reler o que escrevi por ao terminar o que esteja fazendo me adiantar a próxima tarefa... 
O estranho diálogo passaria desapercebido se não fosse entre profissionais e não mais adolescentes.
Divagava em pensamentos enquanto escutava os absurdos: Um dia poderia acordar mau com a “síndrome do pensamento acelerado”. Será que um psicólogo me daria um atestado de burrice para ficar em casa uma semana? E se dissesse que a síndrome do pensamento acelerado foi um acidente de trabalho ou que me encontro em estado degenerativo mental, pois a síndrome é hereditária - será que passaria a receber uma pensão da previdência por “burrice crônica”? Pois não há cura uma vez que seja uma síndrome ainda que descoberta tardiamente! 
Claro que seríamos ácidos em pensar assim, supondo que esta síndrome não deva existir... E que talvez seja uma vontade de disfarçar um princípio disléxico ou sofra disgrafia, mas como não há graus - o sujeito tem ou não tem - (dislexia disgrafia) - podemos entender como esfarrapadas as desculpas... De lado o “espírito zombeteiro[1]” veio a "certa" lembrança de que em nosso país a língua não representa “nada” para a maioria das pessoas e que serve somente para fins básicos: comunicar-se para obter vantagens (alimento, trabalho), para se promover a melhor pelego ou para falar de futilidades novelescas e futebolísticas. 
A grande tristeza diante desta constatação é que o número de jovens com a suposta síndrome beira a casa de 80% e que os dias presentes terão sua reestruturação com novos personagens com outras "síndromes que denotem preguiça mental" ou algo parecido. Pois dificilmente o filho não é o espelho do pai. Dificilmente o aluno não é o espelho da escola. O cidadão não seja o reflexo do político, certo que este antes de sê-lo dizia-se cidadão. Creio ter explicado porque não acredito em melhoras para o país. Não que quem não saiba escrever ou não goste de ler não tenha capacidade de desenvolver o senso crítico, mas que certamente está mais distante da razão e da coerência com que se deve olhar o mundo tal qual faz os leitores escritores (com muitas exceções é claro).



[1] Dispenso o sentido religioso do termo

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