Pular para o conteúdo principal

Necedades natalinas e culturas exógenas



A sociedade mimetiza-se de tal maneira que não tardamos a entender suas práxis como pareçam loucuras, mas não são loucuras decentes ou dignas (que mudam, que vanguardeiam), são apenas sandices natalinas, aberrações pascoais, necedades cívicas, asneiras quaresmais, palermices protocolares  e etc.,.
Não pensemos que loucura seja um signo comum da falta da razão. Se pensarmos que sim teremos de admitir que todos somos loucos, pois muitas vezes perdemos a razão. Motivo de não nos considerarmos também  loucos. Mas espertos. Loucura é um problema ético ou alienação? 
Não deveríamos nos importar com mal e a bitolação geral porque a loucura enquanto bem comum é uma "ação cultural" e nada se sofre quando há um desejo superior no ato cultura? Sim de forma nenhuma: a desgraça dos homens são suas normas culturais alienadas a dogmas qual a dor, alheamento e sofrimento são motivos de prazer e não mais são tidos como dores, mas gozos.
A inalteração proposta na ausência de dor é possível a qualquer elemento desde que não compartilhe dos mesmos sentimentos em questão. Aqui loucura parece egoísmo, somos egoístas (dizia Hobbes). O que não cabe em si é o sentimento de pertença ferido ou em propensão a permanecer fora da órbita que se observa e se quer tomar. Desse modo  a loucura é antitética. Ainda existe outra (a mais bonita das loucuras): a  loucura da sublime poetisa (dessa) parte das pessoas não entendem e a única loucura que aceitam é da ganância ou das farsas das ladainhas matinais ou vespertinas.
Loucura é o mundo natural do "outro", pois o nosso é perfeito. É também o elo contrastante das relações. Se este elo não tem uma vida sólida, mesmo que num submundo, tende a erupções que caracterizam essas sublevações, inquietações ou até a quietude.
Veja a loucura de apresentar um espetáculo para  vender um produto, uma demanda comercial alicerçada noutra veleidade capitalista e proselitista (a igreja e seus preceitos para um dos maiores bancos do mundo: O Banco do Vaticano).

Esta é a cor natalina: sombria, soturna carregada de mentiras (igreja), de fantasias comerciais, de veneno que embriaga o povo com petas de caráter sociológico fundadas nos períodos mais nefastos de nossa estória: o catolicismo e suas seitas evangélicas - ambas retrogradas e anuladoras da vida.
Na apresentação deste espetáculo (luzes, músicas temáticas e vídeos) de natal em um parque de São Paulo foi possível notar a loucura da dominação de um grupo por outro, de uma classe social por outra, possível vislumbrar as manobras mercadológicas como eterno sustentáculo para manobra de massa apoiadas em arquétipos supostamente culturais: O natal uma das mais belas invenções comerciais tanto da igreja quanto dos capitalistas. O povo no Brasil mal conhece sua língua (não escapo a esta denúncia), no entanto das dez canções mostradas nesta apresentação natalina sete eram internacionais (para não dizer inglesas ou americanas) denunciado aos mais atentos que festejos natalinos não é parte original de nossa cultura (se é que temos alguma). A música estrangeira, imagens que retratam vidas perfeitas em outros países .. Mas a promoção do espetáculo.... Era uma amostra mais xenófila que propriamente ligadas a festividades religiosas. Ah este era de uma rede de lojas (antes nacional agora engolida por grupos além mar) europeus e americanos. Então não eram tanto xenófila  mas uma tentativa de infundir sua cultura em nossos cérebros (estão conseguindo...). 
Isto sim é das piores loucuras dos homens. Invadir a mente do outro para vender seu produto, para dizer que sua cultura que é digna, que sua música é melhor, que seus artistas podem ser conhecidos mundialmente - os outros não.  Não oblitero jamais o dito de Marx que afirma religião ser: "o ópio do povo". Ele só não imaginava que no futuro iriamos transformar este ópio religioso em produto de consumo agravando ainda mais a alienação das massas. Tornando-as brutais em seus fins. O que é loucura de fato? Não sabemos!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cabelo ao vento

Que passas... (?)
                    Ao luar;
Quais sinas... (?)
                    Hão aquietar;
Que mares... (?)
                   Há de singrar;
Dos amores!
                   Feliz, amainar;
Da sagacidade...
                   Intuspecta cor – relumar;
Do cabelo a brisa...
                   Sibilista olhar;
Por Febe semp’ terna
                   Há d' estar.


Vulnerant omnes, ultima necat

Esta inscrição (título) em Latim (como outras tantas) encerra um caráter excessivamente preciso sobre a vida ou sobre nossas ações e o modo como "não" percebemos o mundo.

Talvez possa induzir fracos pensarem que nada valha fazer porque a ordem de tudo é um fado... Mas o que pensam sobre tal frase os que não se importam com os demais?

Não percebem que caminhamos todos para um nada comum! Homicida não é somente aquele sujeito que tira a vida do outro, mas todos aqueles que impõem suas veleidades sobre os demais para vantagem pessoal.

Qual a diferença de falastrões, profetas, marqueteiros, palestrantes e políticos? Nenhuma...


Em equivalência não atentam para os ponteiros da vida e não entendem o significado dos dias em que "vulnerant omnes, ultima necat*. Que sim, algumas de suas verdades não valem um quinto do que lhe é dado. Que tantas outras que tornariam a vida de "muitos" melhor é deixada de lado... Porém cada um olha apenas para sua marcha como se fosse a mai…

Urbanização de São Paulo: Chicago ou Paris?

Em 1878 fundou-se em São Paulo o primeiro sistema de abastecimento de água a Companhia de água e esgoto Cantareira. São Paulo já estava em ebulição, era o destino preferido dos cafeicultores interioranos, também dos imigrantes europeus. 
O processo de urbanização paulistana é uma síntese de contradição copista: os primeiros barros criados para elite indicava europeização da cidade (Campos Elísios, Indianópolis e o próprio Higienópolis que remete a questão da limpeza racial) para clarificar nossa proposição de copistas às avessas havemos de lembrar que diferente do que fizeram os europeus com seus rios São Paulo os matou ou fez com que sumissem embaixo do asfalto (caso Tamanduateí e do riacho Anhangabaú – o primeiro canalizado vergonhosamente sujo e poluído, o segundo sumido da Avenida 9 de julho). Em 1912 inicia-se a canalização do Tamanduateí juntamente com um projeto de aterramento das várzeas deste e do Anhangabaú. Este foi é o primeiro episódio que marca o desastrado urbanismo paul…