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A loucura como ideologia

Esta epigrafe poderia se dar por "a religião como loucura ideológica das razões comezinhas", mas a extensão não simplificaria o entendimento do que segue, pois não há fuga da possível redundância aos olhos mais atentos, uma vez que religião, loucura e ideologia se confundem inevitavelmente diante da postura que se tenha para tais elementos. Essa crítica pode apenas reforçar o apego de cada sujeito a sua escolha ou causar indiferença com o devido respeito. É que propomos!
A união de pessoas em torno de uma ideia cuja defesa (dessa) seja preciso matar ou cometer suicídio pode ser considerada religião? 
Não estaria mais próxima de uma instituição política qualquer ou de uma seita pagã onde o exercício da razão está destituído do modelo racionalista que conhecemos?
Os fundamentalistas encontram satisfação no terror e isso precisa ser estudado desvinculadamente de sua religião. É um acesso às avessas (do êxtase) que toda religião propõe.  Não só têm prazer em reduzidos projetos de vida chamados de preparação, mas satisfaz-se com a destruição do outro (como se existisse outra forma de vida que não essa e como se esta não pudesse sofrer contratempos), dessa paranoia dogmática tentam estabelecer uma ordem única. Bom... Caso parta para a questão da “ordem e da imposição de dogmas” teremos de admitir que qualquer ação do homem contra o outro é um ato fundamentalista, mas a questão é o que o antecede o terror como nos é oferecido! O terror está no homem, está na sua necessidade de autoafirmação, está na bíblia (que é a base de todos os romances religiosos subsequentes) instado perenemente nas estórias de personagens aparentemente simplistas, que, entretanto, no mínimo esperam a vingança como fim para suas causas. Desde muito a bíblia tem sido um conto inspirador para diversas seitas formatarem seu modelo exclusivo de salvação do homem, ameaças, privações, anulação das vidas e, em alguns casos mais atrasados no, respeito à dignidade humana e no aviltamento das mulheres. Este preceito foi levado com firmeza pelos bastardos qual a bíblia formou e deram mote a novos livros sagrados. Destes saíram sujeitos altamente políticos fundadores de teocracias que resistem ao pensamento moderno.
Seja na “não reação a agressão” sofrida, seja na reação baseada na Lei do Talião (ainda não obliterada por religiões análogas) que com passar dos tempos tornaram-se Estados religiosos - tornamo-nos vítimas das sandices alheias - e “o que temos para hoje” são grupos de sujeitos dispostos a dar a vida em torno de uma causa emotiva (religião e capital). Ambos são daninhos ao homem tal qual a falta de liberdade, tal qual a ausência de independência intelectual ou falta de respeito à vida do outro. O resultado de tudo isso são sociedades antagônicas em seus valores. Um louco e sábio disputando a sua exata porção e recusando a porção do outro que em símile valor está em si! Considerando-se antípodas são loucos e sábios reciprocamente.
O homem da "não agressão" tornou-se ortodoxo e nada enxerga além de dinheiro a sua frente. Seu pseudo avesso tornou-se a personificação da fúria em respostas agressivas, pois imaginava que seu primo resiliente o tolerasse como um suposto perdão milenar. Mas aquele também quer “Poder” e a resiliência que fique para os pagodes (templos). 
Tudo se faz em nome dos "outros" que não são (nem foram) em nada diferentes dos lideres do dia-a-dia: Santos para uns demônios para outros.
A partir disso se percebe que religião é a loucura da alma! A sede do impossível. A farsa perfeita para manter o homem num estado inalienável - num ideal alienante em perspectivas essencialistas, mas o que deu errado com aquela qual não se pode pronunciar o nome para não morrer? Não é somente uma religião é uma ideologia política muito mais forte que estado religioso com um papel reverso no sentido normatizador. O #)9~* está na contra mão da vida e do respeito ao próximo. Hão de dizer: não se pode generalizar! Mas o que têm feito esse povo além de causar danos até aos seus? A começar por não respeitar suas mulheres, a começar tomar por ódio o que lhe é alóctone ou punir erros comuns com brutalidades tribais (decepar membros e outros horrores como negar a mulher o prazer do sexo arrancando-lhes o clitóris). Não podemos aceitar como resposta: "Isso é cultural". Devemos responder: "Isso não é HUMANO"!
Saber qual tua religião, qual teu cicerone, quem é teu limite ou quais foram tuas obras sobre o mundo não o define de maneira perene para o bem nem para o mal. Uma vez que o seu bem pode não ser o bem do outro. A limitação do pensamento religioso pode ser sustentado pela representação de um universo vazio cuja verdade seja dada não numa razão, mas numa projeção do sujeito que o observa.

Profetas, santos, rabis, divindades, stars, pastores, mulás, papas, pajés, pais de santo, exegetas são quaisquer loucos que encontrem outros dementes fanáticos - incapazes de fazer uma leitura particular do mundo e dos fatos - para serem ouvidos! Sebastiões, parvos, boçais, truões, tolos, biltres são os defensores de ideologias com a própria vida ou quem apoie este fim.
Política é "quase isso" num sentido lato! Ou apenas o fator de domínio e isso num sentido estrito - tanto sobre as práticas da religião quanto dos ignavos que a seguem.

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