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Nada a declarar...

     Quero mais nada dizer...
    Desatei arremedos de crônicas, sátiras, textos sobre o que entendia sintetizar vícios, veleidades e outras formas tacanhas de viver em sociedade - tanto individualmente quanto coletivamente - sobre política, desejos de toda sorte, ao amor, a soberba, ao preconceito (modelos e protocolos boçais); disse: 'no óbvio existe um viés' somente os argutos veem.
    Impávido nem tanto incólume sigo para o luscofusco da vida.
    Poderia ser temerário e parafrasear Sófocles: "decifra-me ou te devoro"; talvez não caiba, nem deveria ter tamanho pedantismo. Está tudo muito bem resolvido: o mundo sempre tem um prócer para pilha-lo, mas não custa tentar para satisfação do imo e, de algum modo, gerar uma interrogação setentrional. Seja:
    "Pela manhã vive-se a esperança¹, a tarde: um encontro com a realidade, a noite: a certeza de que a hora final está chegando e nada vai mudar" (não importa o milênio em questão).
   O que sou? 
   Imagino que lembrou-se das miríades de castas sociais fabricadas para atender interesses comerciais (independente do continente²) e com isso tenha deduzido como resposta "os homens eternamente explorados nos arranjos governamentais". Se sim:
    Devoro-me³ então!  
______________________________

¹ A esperança é uma causa buscadora de fins desconhecidos por razões conhecidas (é a vitamina mais importante para crianças, adolescentes e religiosos que nada querem saber do real e postergam-se num triunfo miraculoso). É  um limbo prazeroso oferecido pelo explorador aos explorados. A tarde é o que podemos chamar de fase da vida em que ocorre a transição (ou) vislumbre para o real - o abandono de fantasias - pois não há mais tempo para sonhar diante do modelo de vida fornecido pelo "outro". O luscofusco é o fim das forças, é a percepção de que todos os cérebros estão manietados por alguma causa que tende a contradizer outrem, pois tudo é competição; é também o momento de conhecimento da história dos homens baseada na manutenção e na ostentação de poder indicando que o homem é seu próprio fim. Parece-me que Malthus escrevera para marcianos - não para nós; Epicuro aos porcos; Althusser a "plutonenses". Não importa...
² Veja a história dos Estados Unidos da América: sua relação secular de exploração em todo continente americano. Não gerou colonias como os europeus, mas refinou os métodos de escravizar e matar essas populações quando não atendiam seus desejos mercantis; minguadas as resistências locais ao longo dos anos assistimos seu assomo bélico e comercial assombrarem o mundo em nome de seus sonhos vendidos pelo cinema que pouco faz além de copiar sua ignominia nos campos de guerra. Agora estão diante da grande "besta do atraso" (a religião dos assassinos suicidas) que desafia suas armas mais inteligentes. Por um momento ocorre a dúvida sobre que domínio estaríamos pior... Melhor fingir que sonhamos juntos que sermos obrigados a ter pesadelos com o paraíso além túmulo observado por uma azêmola barbuda batendo a cabeça em algum lugar em nome de um asno de Cuma medieval. Agora há uma dúvida: Uma religião que precisa matar para se afirmar como tal é o que afinal?  Apenas um regime ditatorial como outro qualquer...
³ Não haverá novas publicações até que cesse a minha descrença sobre tudo.

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