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Desorganograma da educação ocidental

Sobejo latino americano

AVISO: esse texto pode causar reações adversas. Entre outros: efeitos colaterais hepáticos seguidos de neurastenias.

Por isso sempre digo: Zeus me dê fígado! 

A educação pode explicar a graça ou desgraça de um povo. O texto abaixo pode parecer desconexo se não estivermos a par da historia da educação ocidental e das tentativas de se implantar modelos importados de educação atendendo antes as necessidades econômicas de outras nações em nome de seus padrões de progresso.
Do platonismo (uma educação de estado) ao tomismo peripatético (uma educação metafísica) nascem todos os modelos de educação ocidental. Esse monstro hibrido e indeciso caminha ainda hoje alimentando-se de vidas que nascem para servir a dois sistemas mentirosos e calhordas: a Igreja e ao Estado. Isso desde o momento que ambos fundiram suas identidades, fato que durou milênios (não que ainda não haja esse ranço) deturpam qualquer possibilidade de humanidade dos sujeitos ( veja os conchavos da Igreja russa com o Estado, veja a esbornia que a igreja protestante faz em Moçambique e no Brasil).
É na fase aguda deste casamento (Igreja - estado: Século XVI - XVII) que matam milhões de vidas aborígines para fundar as desgraças de um novo povo. E continuam a matar para manutenção de seu poder sobre o outro, assim como mataram mouros, os judeus ou compatriotas em defesa de sua mentira suprema. Lembrem-se da Santa Inquisição... A maldição é a própria feição da santidade.
Por que ligar teorias educacionais a estas ocasiões? A intenção não é relacionar, mas negar que exista funcionalidade entre teorias educativas e as "realidades educativas ou não" a não ser para as teorias pedagógicas da exploração e espoliação. Uma vez que surgiu Roma sobre a terra acabou a ideia de homem e espírito e brotou-se a ideia de espírito de guerra no homem (sei que não foi a única a viver para a guerra, porém refinou os sentidos de dominação e ganância). Ou seja, se são paralelas a tantas desgraças o que são senão meramente teorias? Ao menos a nós latinos e aos que sofreram nas fogueiras da inquisição ou aos que ainda morrem todos os dias pagando a conta dos países ricos e dos nossos exploradores oficiais em nome de quem não sabemos... O que quero dizer é que se as teorias tem alguma utilidade "só atendem a um lado da pretensa humanidade". 
Por este (des) organograma explicamos como foram tramados, ao longo dos séculos, os elementos do nosso pensar (quando pensamos). Refiro-me aos povos secularmente explorados pelas elites e governos das civilizações melhor arranjadas do primeiro mundo como gostam de ser chamados.
Na verdade a estrutura (do lado de cá) que ajuda a manter a exploração (por aqueles ainda hoje) também é pobre, pois mendiga seu quinhão a uma nação ávida por dominação e não entende a peculiaridade de seu povo submetendo-o a toda sorte de entendimento, financeiro, teórico e protocolar exterior (só somos considerados dignos se imitarmos um modelo de fora). Somos tudo no futuro e não somos nada porque "somos" tudo num tempo ausente. Mas somos as veleidades de povos que nunca vimos e que não nos deseja ver! Nada somos! Nada temos além de engano, somos latinos americanos formados por preceitos que importados.
O sobejo é transformado em necessidade pela TV e pelo cinema que cansou de sonhar e agora corroí as vísceras da realidade levando marionetes a se deliciarem com uma sessão refrigerante e pipoca. Alienando jovens do mundo inteiro em roteiros fantásticos, criando uma geração de boçais na frente e atrás das câmeras. Os investimentos em um único filme podem fazer sombra a gastos de escolas de uma grande cidade (latina é claro).
Quando a educação funciona é para atender uma demanda capitalista (os filhos da elite garantem suas vagas nas universidades públicas. Pública para benefício da elite? Mais um contra censo que as privatizações que vendem empresas lucrativas não querem ver; Por que?). Até as ações promovidas pelas igrejas visam o lucro, sempre foi assim, não falemos de Alexandre VI nem de outros Papas do latifúndio que maninhavam em si a distribuição da terra. No presente vejam os escândalos mundo a fora: da Sibéria ao Brasil, da África as Américas; ah o Vaticano tem banco de investimentos... As igrejas não investem em educação! Por quê? Mas querem dinheiro! Para quê?
O que é educação então? Apenas uma pretensão de alguns.
Não existe lugar comum para as ideias nem ideais nem ideologias perfeitas sem sangue: é o que quer dizer a história. 
O conhecimento transforma a realidade e recria as necessidades. Desta máxima são abstraídas as utilidades que promovem o bem estar de uma classe em detrimento de outra.
Assim perpetuam-se os modelos de educação (essencialista, existencialista), todavia, nada fizeram a não ser moldar o homem para atender uma demanda de rentabilidade que desse garantias a um grupo menor (cleros, bispos protestantes do povo, membros do Estado e empresários: os donos da verdade)  não a coletividade. A exploração de um homem pelo outro é o maior patrimônio da humanidade. 
Antes de findar o século XIX o que viria ser chamada de Educação Nova surge das controvérsias antigas e gera novas insolúveis. A pedagogia social e a pedagogia da cultura.
Curva da educação no Século XX em meio a de duas grandes guerras  e massacres pontuais por todas as partes do globo.
A face da educação atual ainda preserva um esforço de negação da educação de cada época. Este esforço (negar) não fora concebido nos anseios revolucionários das buscas da liberdade, mas é uma imanência humana em cada estádio particularizado. O homem sente a necessidade de dizer não e lutar...
Cada sala de aula se projeta numa vontade tosca de superação do presente caem, a todo instante, no buraco sem fim da controvérsia, que por sinal, ainda tende ser o melhor caminho, pois ainda resta aos desvalidos da riqueza da terra a possibilidade de entender o mundo que vive. Somente entender... Obviamente a realidade está posta entre a as imposições ideológicas e suas controvérsias amparadas na manutenção do currículo para cada classe sendo impossível a alteração deste "movimento de sombras".
Toda época tem sua polêmica e a chamam sempre num momento posterior por algum título aceitável: pedagogia disso ou daquilo... Nos fins do Século XX a educação passou pelos termos tecnicistas (a educação metrificada ou puramente técnica) e pedagogias sociais com base na ideia fixa de progresso e entra no Século XXI sustentando claramente a distinção de currículo. Alterando levemente os contextos numa pseudo democratização do ensino. 
A máscara do capital ainda não caiu. Lógico o povo, parece, não se dera conta que se houver alguma vantagem cedida pelo sistema não passa de armadilha (casas populares nas cidades aplacam o espírito do pobre expulso do campo e oblitera a reforma agrária). A sensação de democracia faz um grupo de anencéfalos marcharem pela liberação da cannabis sativa, outros marcham pelo direito a pederastia e lesbianismo como se fosse algo novo. Uma única marcha satisfaria todas as outras: "A marcha pela saúde mental baseada nos princípios de sustentabilidade planetária na igualdade e na anarquia (se fosse possível viver sem hierarquia)". Eugenia. As individualidades não deveriam fazer diferença entre as pessoas. 
No entanto o mote sobre a realidade e dado por ideologias diversas a verdade das ruas.
Curva da educação no Século XX e XXI em meio as balelas ideológicas dos estados. 
Sabemos que ao século presente e ao passado nunca será tratado por seus verdadeiros termos: pedagogias mecanicistas, associativas, controversa ou explorativas. 
A pedagogia do futuro baseou-se e basear-se-á na idealização de progresso e bem comum, mas novamente é um engano como fora em termos existencialistas ou essencialistas, pois continuam a dividir o bolo de forma desigual. Seja de cidadão para cidadão seja de nação para nação. Principalmente as latinas com seus abutres autóctones e alóctones desde Hernán Cortez a Bush, de Francisco Pizarro a Woodrow Wilson, De Tomé de Souza ao próximo, de Cabral ao Conde de Derby (é do conhecimento de poucos, principalmente na América Latina, que os Ingleses financiaram aos  três patetas - Argentina, Brasil e Uruguai - o massacre do povo paraguaio - de crianças a velhos - em uma guerra sem precedentes, nada gastou, aniquilou um futuro concorrente comercial nos trópicos e deixou os três tolos endividados¹), não há cicatriz a chaga está viva. Nestes períodos podemos aludir a educação jesuíta até o desenvolvimento da pedagogia spenceriana burguesa com vistas a seleção do mais forte. Não parecem difusas, mas equivalentes, as práticas dos Estados também não.
Somente uma pedagogia com base nos preceitos da obviedade do pensamento de Malthus nos salvaria caso aliada a pedagogia da cultura solta de preceitos comerciais ou morais. Somente o abandono do desejo de subjugar nosso semelhante nos tornaria humanos. Somente o respeito ás diversas formas de vida no planeta nos faria homens: uma pedagogia ecologicamente correta. Mas quem se importa se o importante é ter o ouro, a prata, a cruz e a espada. Então não existem pedagogias seguras para todos: somente sombras educacionais impelidas das necessidades de alguns. Nunca para a coletividade.
A educação atual é pautada no modelo de empresa. As empresas descobriram que é preciso se tornar ecologicamente corretas para sobreviver então a escola também tem de se adaptar, isto é, ser ecológico é para todos - outros benefícios não. Os modelos de empresa escolar contem a mentalidade do futuro cidadão desde a primeira infância até o nível superior. Novas questões surgem. Se as escolas já há algum tempo são empresas não haverá mais o surgimento de teorias educacionais? Mas empresariais. Como empresas tenderam a robotizar o pensamento humano dentro dos preceitos economicistas parametrizados em lógicas tayloristas como será a mente humana em quinhentos anos? Meio máquina? Meio humano? 
Visto que nunca (houve nem) houvera relação das teorias educacionais com a realidade me ocorrem outras dúvidas:
O que será das artes agora que as escolas são mais empresas que escolas?Como viverá o homem sem a possibilidade ou necessidade gerar teorias pedagógicas, pois o tomo já está dado pelo padrão empresarial de produção? 
O que será do novo sujeito nascido para competir em dias de escassez de recursos?
A resposta está dada em cada questão num passado atemporal. Não se difere o passado do presente sem dificuldade de interpretação, pois as ilustrações teóricas costumam cobrir a verdade e o que é fato histórico pode não ter a cara sarapintada e lúdica de fato histórico, mas algo pior, algo que alguém precisa calar... Ainda sim está pressuposta a verdade - ainda que custe a vir a tona.
O Sistema é uma prisão e o homem não pode se dar ao prazer de pensar-se fora dele. Essa é a verdadeira pedagogia: a pedagogia da Vida, da luta pela sobrevivência (cada um pelos seus a seu modo), o resto é perfume.

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Nota:

 1. CHIAVENATO, Júlio José. Genocídio Americano: A Guerra do Paraguai. São Paulo: Círculo do Livro, 1988.

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