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Asno de engenho II

Olhai para o Estado (até o Estado democrático de direito). Continue a olhar e sinta a não linearidade da sua utilidade em relação ao bem-estar do cidadão. Nenhum deles.  Especialmente daqueles que utiliza como trincheira contra o crime (polícia, seu braço executor).  A sociedade precisa de gente para engendrar e fomentar o PIB. Como sinto falta de ouvir falar de Malthus!!! Ao sujeito vítima das novas sociedades estamentais modernas cabe o subemprego. Aos líderes cabem a honrarias de dia e propinas a noite. Aqui no chão da fábrica ou no quartel -  devido aos inúmeros graus de classificação em cada profissão - o indivíduo imagina poder evoluir e deixa de entender sua condição de boneco, marionete social jurando buscar a satisfação plena enquanto "ser" da tal sociedade. Nisto constitui sua primeira cova: a projeção de uma profissão em que julga usar seus poderes de homem da para o bem de todos; pensa poder salvar a humanidade da vilania de uns. Na prática de suas funções ...

Asno de engenho

Que o homem inventou a Deus muitos negam, mas o paralelo da invenção do Estado e seus tentáculos nos põe em vias de esclarecer essa querela. O Estado é fruto da consciência do homem assim como seu criador. O homem não suporta a ideia de vazio, de não resolução ou ausência de controle. Deus e Estado são símile. Preenchimento e controle são suas principais vertentes. Então estamos prestes a vislumbrar que o Estado nada mais é que um apêndice divinal para o plano físico bem arranjado na eterna divisão de classes: clãs e sub clãs, guetos e afins. A farsas ideológicas são os produtos das prateleiras do "pensar". O conteúdo é desde sempre equivalente e ambivalente; muda-se a embalagem para cada época histórica, mas você jura que é um revolucionário, um profeta ou exemplo à ser seguido: ledo engano. Um asno de engenho sabe mais sobre o mundo.

O Brasil no fundo do poço

O Brasil não é bem um país, uma nação como aquelas que vemos na TV. É apenas um "esforço de ser". Um teatro mambembe. Um ajuntamento de ladrões que se revezam no poder para burlar o povo (analfabeto funcional) formando o que podemos classificar como teatrocracia constantemente agravadas por sua sanha draconiana. Na verdade o povo brasileiro nunca saiu do "fundo do poço". Breves alentos de cultura, de esporte nos faziam sentirmos civilizados também. Mas foi o tempo! A música de qualidade deu lugar ao barulho esdrúxulo nascido da anencefalia das favelas com o apoio da toda poderosa TV oficiosa. A política NUNCA teve méritos (salvo um ou outro personagem eleito como Salvador da Pátria). Os grandes nomes da Cultura foram obliterados pelo ordinário e de fácil absorção. O Estado brasileiro é um aleijão sociológico: metade do plenário envolvido em negociatas; empresas de todos os tamanhos suspeitas de corromper agentes públicos que se permitem; a economia um caos ben...

Vai dar Brasil!

O Brasil é uma tentativa constante de parecer uma nação real, mas seu esforço paira num limbo que lembra obras teatrais ou seriados esdrúxulos da TV americana. Enquanto o mundo explode:  Redução do investimento na educação e na saúde para pagar juros altos aos credores. Alunos fingem que aprendem, professores fingem que ensinam. No entanto o traficante se fortalece na esquina do bar próximo a faculdade ou em campos ermos das cidades universitárias. Liberdade aos "manos", pois não há lugar para tantos presidiários. Tornozeleiras eletrônicas estão na moda no Brasil da elite. Cartilha sexual para crianças de 10 anos banalizarem o sexo e naturalizarem suas formas e lugares. Foro privilegiado para quem tem dinheiro, foro privilegiado para políticos que se entendem como Reis de suas comunidades. Bolsa família para quem só fez filhos a vida toda... Além dos constrangimentos que causam a todos diuturnamente com suas poses de heróis do dia ou sua arrogância su...

Mundo animal

O homem se ressente da necessidade de ser diferente dos animais e para isso auto classificou-se como humano. O primeiro ato para fugir da condição primata é a invenção de deuses da vida póstuma, pois não aceita sua finitude breve. Nesta tarefa cada povo, como que em modelo de manada, criou seu Deus. Assim se divertem tanto com o "bem quanto com o mal". Um deus é uma panaceia. Sua linguagem o ajuda, apenas, a enganar a si. Um meio não muito inteligente de isentar-se dos danos que provoca aos outros animais. Deus é uma "super consciência" da linguagem capaz de atravessar gerações, aniquilar povos, substituir outros deuses, determinar modelos existenciais, etc. Usando a linguagem como ferramenta de engano geral e sob a tutela de um protetor o homem massacra, humilha, sacrifica e devora outros animais. Em seguida busca pureza através de templos que construíram em nome dos limites que seus antepassados criaram. Sobrepondo qualquer sentimento de culpa pelas mazel...

Nós

Nós, a sociedade somos uma criança vingativa sob tutela da mídia, da escola, da esquerda, da direita, da economia ou da igreja. O que somos ou para quem somos então se não apenas o mimetismo tosco de um destes poderes? Olhe para dentro de si e encontre o corrupto que critica nas ruas em procissão ou rodas de amigos. Olhou e viu em suas vísceras quilos e quilos de contradição. Sentenças ao próximo e vista grossa às pechas que lhe sejam convenientes. Pois nosso rito é este: suprir, talvez, um alter ego. Te salva da ignorância somente ser diletante, sua visão cosmopolita e sua inteligência de mundo, pois as fileiras das instituições são viciadas numa droga chamada "poder e sistematização". Viva para uma delas e morra como um tijolo em seus muros, viva para si e "viva simplesmente". Não como bloco, sim como "ser". Enquanto o "ser vive" - indivíduos alimentam-se da ração cedida por tais próceres. A escolha é sua: ser uma criança vingativa ou exerc...

Por que somos assim?!

A sociedade brasileira se queixa o tempo todo da "sociedade brasileira". Tudo muito estranho poderíamos e seria lógico nos queixarmos de outras sociedades tal qual peruanos de chilenos, bolivianos de peruanos e de chilenos e chilenos destes e de outros. Mas nós não! Nos queixamos de nós. Como se fôssemos várias sociedades numa só! Bom, depois do escrito acima creio que posso dizer: maktub! Também eureca! Ou qualquer frase pronta que signifique que aí está a verdade. Ou que por estar implícito estivesse escrito no nosso gene. Sim, pois "as sociedades brasileiras" sofrem de divisões políticas partidárias, genealógicas, raciais, religiosas, profissionais, regionais, etc. (Não me privo de falar que esta última é tão velada quanto gritante). Isso explica o brasileiro? Sim e não. Explica os energúmenos presos a estas questões de cunho particular (explica aquele ser desapegado do todo social), uma vez que nenhum sujeito escapa de suas particularidades. Isso não sign...